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Trabalhando a Suspensão – rebaixar o carro

A continuidade de nossa série de artigos sobre preparação necessariamente exige que tratemos de um assunto que não está diretamente ligado à potência do carro. Na verdade, vamos abordar um tema que mostra como gerenciar de forma adequada a força motora do carro. Chegou o momento de tratarmos de suspensões.

Imaginando que o leitor já atingiu um certo nível de preparação do motor, também há que se adequar outras partes do carro aos novos níveis de desempenho de que ele é capaz. A importância disso está relacionada tanto ao aspecto segurança, como também à obtenção de rendimento e comportamento adequado e controlado do conjunto. De nada adianta um ótimo trabalho na parte de motor se você continuar com a suspensão e o sistema de freios (trataremos em breve) originais.

Alterações no sistema de suspensão, como rebaixamentos por exemplo, têm sido uma prática cada vez mais comum, principalmente entre os adeptos do tuning, ou até mesmo por aqueles que querem apenas dar um aspecto mais esportivo ao carro. No entanto, muitas vezes, a preocupação com dirigibilidade e estabilidade ficam em segundo plano. A procura por soluções mais baratas, sem levar em conta a qualidade de peças e a mão-de-obra, podem trazer um sério risco, tanto à integridade física como ao patrimônio.

A moda de rebaixar carros está cada vez mais acessível para a maior parte das pessoas. Suspensões especiais são quase itens de “série” no Japão, nos EUA e na Europa. E estão disponíveis nas mais variadas opções. Nesses mercados um sistema customizado não necessariamente está associado a motores preparados e constitui um item de personalização tão importante como uma roda esportiva. Nesse segmento as suspensões a ar são as mais procuradas. Algumas empresas brasileiras já importam marcas com esse sistema, mas o custo para a maior parte das pessoas ainda é muito elevado.

Outra solução para quem deseja um sistema de variação da altura do carro e que tem ganhado bastante popularidade é a suspensão de rosca, que já conta com alguns fabricantes nacionais. Com ela, a altura do veículo pode ser alterada entre 6 e 8 cm em cerca de 20 minutos. As vantagens desse método em relação a um rebaixamento definitivo é que a altura pode ser alterada de acordo com a necessidade, se adequando a excesso de carga, estradas de terra ou muito esburacadas, inspeção veicular, etc.

Mas vamos às razões que justificam um trabalho na suspensão para um carro preparado. No Brasil, a maioria dos carros fabricados tem a suspensão voltada para o conforto, o que, na maior parte das vezes, significa um conjunto mais “mole” e com maiores níveis de oscilação. Entre os principais problemas que você poderá enfrentar com maiores doses de potência atuando sobre uma suspensão convencional, temos:

  • Perda de tração em acelerações mais fortes e bruscas.
  • Certo descontrole da trajetória do carro, com agravamento em carros de tração dianteira, em arrancadas.
  • Menor aderência em curvas e pisos irregulares.
  • Instabilidade em certos regimes de condução.

Algumas pessoas, erroneamente, pensam que rebaixar um carro é um processo que vai dar maior equilíbrio e estabilidade. O engano está em pensar que, com o simples fato de “cortar” elos da mola, já se obtém um resultado eficiente. Ao se cortar uma mola, fisicamente se produz uma alteração no seu coeficiente elástico (endurecimento). Esse endurecimento pode ser maior do que o necessário. Assim, uma suspensão rebaixada deve receber molas novas com dimensões e coeficientes elásticos apropriados ao novo curso, que ficou menor, bem como às cargas de trabalho e regimes de funcionamento.

Outro aspecto intimamente relacionado às molas mais curtas é o curso do amortecedor. Se não for redimensionado de acordo com as novas molas, trabalhará fora dos regimes de compressão e distensão projetados, ou seja, não terá a sua eficiência ideal. Outras conseqüências prejudiciais desse fato são sobrecarga de outros componentes como bandejas, braços e buchas e, em alguns casos, comprometimento da própria estrutura do automóvel. Isso sem falar da indesejável instabilidade.

Esses fatores, em situações limites, podem causar um sério acidente. Por exemplo, em uma ondulação na rua ou na estrada. O carro pode literalmente “decolar” do chão ou até mesmo, dependendo da velocidade, capotar. A razão disso é que, em um processo de corte puro e simples das molas, normalmente a suspensão fica mais dura que o correto e ainda com um efeito pula-pula, que lança toda a carroceria para cima, diminuindo a pressão contra o solo e, portanto, a aderência. Note que esse é apenas um exemplo.

Um outro cuidado muito importante, mas que é negligenciado com freqüência ainda maior, é o peso do conjunto suspenso, ou seja, de todas as peças que são suportadas pela suspensão, incluindo rodas e pneus. E cada vez mais comum depararmo-nos com componentes que têm função meramente estética, como discos cromados fixados entre a roda e o cubo traseiros, para parecer com discos de freio, calotas exageradas ou na pior das situações, pesados adaptadores para rodas de furações diferentes das originais.

O problema que surge em função dessas práticas é que, ao aumentarmos o peso do conjunto suspenso, aumentamos também a inércia (tendência de permanecer estático ou em movimento) do mesmo. Lembre-se que o papel principal da suspensão é manter os pneus o maior tempo possível em contato com o solo, garantindo assim a dirigibilidade do veículo. Um conjunto mais pesado tem maior inércia e, portanto, demora mais tempo para reagir (subir ou descer). Em outras palavras, é menos eficiente.

Imagine que um conjunto com inércia demasiada vai fazer com que, em uma pista com ondulações (costela de vaca), seu pneu praticamente flutue sobre o pavimento. Dessa forma, caso seja necessária uma mudança de trajetória ou frenagem brusca, seu carro poderá não ter a aderência suficiente para realizar a manobra! Portanto, quando for escolher rodas maiores, pneus, calotas ou outro tipo de peças, além de checar funcionalidade, qualidade e aspecto, verifique o peso que o seu novo conjunto vai ter.

Há hoje em dia uma grande quantidade de empresas que realizam um trabalho de preparação de suspensões, porém apenas algumas poucas realmente especializadas e que contam com know-how, equipamentos e mão-de-obra adequados a um bom serviço. Sempre opte por uma marca que desenvolva e fabrique seus próprios componentes (amortecedores e molas) e que disponha de mão de obra especializada. Uma suspensão bem trabalhada requer uma série de ajustes, tanto de amortecedores, molas e telescópios como do próprio alinhamento do veículo. Dependendo do tipo de alteração, o alinhamento tem de acompanhar a modificação, principalmente se for de rosca ou pneumática. Veja alguns itens que passam por alterações:

  • Amortecedores – Válvulas, corpo e haste são retrabalhados de acordo com o modelo do carro e as necessidades do cliente.
  • Telescópio – É feito um trabalho na altura, na base e nos braços (em alguns casos).
  • Molas – As molas são desenvolvidas especialmente para atender às necessidades de cada um. Podem ter a calibragem e o diâmetro alterados.
  • Alinhamento – Tem de ser revisto para se adequar às novas exigências da suspensão.

Sérgio Albuquerque – sempre atento as tendências – valendo-se de sua ampla experiência no segmento de suspensões e depois de muito desenvolvimento, criou um sistema bastante prático de suspensão regulável para carros de passeio, tanto nacionais, como importados e também alguns modelos Off Road. Este trabalho exigiu muito tempo de estudo e ensaios, para desenvolver componentes que suportassem as condições de nossas ruas e que não alterasse os demais componentes do carro, tais como bandejas, buchas, pivôs, etc.

Proprietário da Impacto, Sérgio desenvolveu um sistema de regulagem da altura da suspensão através de rosca, que pode variar a altura do veículo de 6 a 8 cm dependendo do modelo. Com essa solução é possível você optar por andar com um carro mais baixo que o normal, mais esportivo no visual, e quando for pegar uma estrada de terra ou for transportar muito peso, pode-se levantá-lo para que não bata no chão.

O sistema trás muitas vantagens em relação aos rebaixamentos fixos, já que em poucos minutos é feita a alteração e você não terá um carro rebaixado permanentemente.

Um último alerta é importante! Sempre que for realizar alterações no sistema de suspensão, além da preocupação funcional e de segurança, procure executar um serviço que possa ser revertido ao menor custo possível e com o menor trabalho. Essa preocupação facilita a revenda do carro e impede problemas com o código nacional de trânsito, que prevê multa e apreensão de veículos que estejam fora das características originais.

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8 comentários

  1. wagner disse:

    Eu queria saber como eu faço para rebaixar a frente da brasila que ela esta so com a traseira rebaichada e eu eu nao sei como eu faço isso. Vc sabe como fazer isso?

  2. Cofare amortecedores disse:

    Bom só é vc rebaixar o amortecedor para mais informações entre em contato. Você encontrará o suporte necessário para a sua duvida.

    1. Lucas disse:

      Oi, bom dia. Queria saber se existe algum curso para rebaixar carro. Se tiver como entre em contato comigo pelo meu e-mail: #######@hotmail.com. Obrigado!

  3. Leandro disse:

    Rebaixei meu escor 91 com suspensão de rosca mas a trazeira ficou pegando, gostaria de receber sugestões, meu mecanico comentou que as molas do santana a gaz ficaria bom masi tenho receio pois já coloquei as do santana e ainda continua pegando não posso colocar ninguem nos bancos trazeiros fica horrivel para andar

  4. Augusto disse:

    Boa tarde,
    Tenho um Palio 4p 8v 1999/1999 e gostaria de baixar ele, mas não para patrolar as ruas, mas para dar mais estabiliadade na estrada.
    Me falaram para trabalhar a suspensão, que baixam o prato algo assim. Como faço isso? Achei muito caro a mão de obra que cobram, R$300,00 à R$400,00 com esse valor coloco molas esportivas…
    O que devo fazer, fazer essa modificação com os pratos danifica muito o carro, conforto entre outros componentes??
    Desde já muito obrigado…
    Att,
    Augusto

  5. alex fabiano pommer disse:

    boa noite tenho um gol g5 com molas espot. redcoil a traseira mesmo com o peso do som esta mais alta q a frente,, se por acaso eu cortar um pouco da mola traseira a frente fica como esta ou pode altomaticamente baixar junto? já que, se eu colocar peso na traseira, ( uma pessoa de cada lado) altomaticamente a frente desce um pouco junto, cortando as molas traseiras tambem tera este resultado? att alex

  6. Evandro Alba disse:

    Boa noite tenho um fox 05 com suspensão fixa, e a bandeja da suspensão fica raspando no chão , isso causa algum problema? Da para fazer algo?

  7. fabio disse:

    manda corta 1 volta das molas na frente e 1 e meia atras ficara bom.

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