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Sistema de Ignição

Muito tem se falado a respeito de motores e dos diversos recursos e sistemas empregados neles, nas diversas matérias do Envenenado, porém muitas vezes esquece-se que certos subsistemas do motor são de vital importância e que de seu adequado funcionamento, dependem o rendimento e correto funcionamento do próprio motor. Por esta razão, abordaremos aqui o sistema de ignição.

Para que você compreenda corretamente o papel deste sistema, vamos dividi-lo em alguns componentes principais, detalhando suas funções e como operam a fim de produzir o resultado final.

 

Timing de Centelha

A correta sincronização da emissão da centelha ou faísca produzida pela vela em cada cilindro é um dos principais aspectos a se observar, sob pena de que uma emissão em um momento errado comprometerá o correto funcionamento do motor e poderá até mesmo provocar sua quebra. A ignição do combustível no momento adequado não apenas irá produzir o máximo de “trabalho” (energia), como também o melhor rendimento e menor nível de emissão de poluentes.

Quando a mistura de ar e combustível queima dentro do cilindro, produzem-se gases à elevadas temperaturas que se expandem e desta transformação é que se gera a pressão responsável por deslocar o pistão para baixo, acarretando o movimento. Para se conseguir então, mais potência e torque do motor é necessário alcançar-se maiores níveis de pressão dentro do cilindro, o que se traduz também em melhores níveis de consumo. A eficácia deste processo depende diretamente do timing da faísca.

Há um pequeno intervalo de tempo entre a emissão da faísca e a queima completa da mistura, momento em que se atinge o maior nível de pressão. Desta forma, se a produção da faísca pela vela ocorrer quando o pistão atingir o ponto mais elevado do seu curso, o pistão já terá descido parte do seu curso quando os gases gerados atingirem o nível mais elevado de pressão, trazendo como conseqüência, entre outras coisas, perda de rendimento. Para fazer com que o aproveitamento do combustível se dê em seu nível máximo, a faísca deve acontecer um pouco antes do pistão atingir seu nível mais alto, de forma que quando a pressão for a mais elevada, ele esteja iniciando o curso para baixo.

Os conceitos de pressão e trabalho (energia) neste caso, precisam ser compreendidos, para que se perceba o quanto influem no resultado. A pressão é uma função de força pela área em que é aplicada e, trabalho é resultado da força vezes o deslocamento (distância) produzido por esta força, assim no caso de um motor em que a distância (curso do pistão) e área (superfície da cabeça do pistão) são valores fixos, só se consegue mais trabalho (energia), produzindo-se mais pressão. Portanto, esta é a razão de se procurar gerar a centelha no momento exato!

Mas o processo não é tão simples como pode parecer a primeira vista e outros fatores existem. Durante o funcionamento do motor, este tem alterações em sua velocidade de funcionamento e, portanto, a velocidade com que o pistão se move dentro do cilindro também se altera. Assim, conforme aumenta a velocidade do motor, a produção da faísca deve ser antecipada e retardada, se a velocidade cair. Outro objetivo é reduzir o consumo e a emissão de poluentes, quando os níveis máximos de potência não forem necessários, o que se consegue retardando o tempo da faísca, produzindo menos calor no processo.

A Vela
Em teoria, trata-se de um componente muito simples. Seu papel é de gerar uma diferença de potencial no espaço (da mesma forma que um raio) e assim produzir a faísca que irá realizar a ignição do combustível. Esta diferença de potencial deve ser bastante elevada a fim de se conseguir uma faísca bastante intensa e a conseqüente queima adequada do combustível. A voltagem que percorre a vela geralmente é da ordem de 40.000 à 100.000 volts.

Atualmente espera-se que uma vela de boa qualidade seja capaz de transferir quase sem perdas a eletricidade até o eletrodo e daí para o bloco do motor onde será aterrada. Além disto deve ter boas características de resistência térmica e mecânica, para suportar as elevadas temperaturas e pressões no interior dos cilindros. Geralmente usa-se em seu corpo uma cerâmica isolante, assegurando que a centelha ocorra no ponto adequado. Devido ao fato da cerâmica ser uma mau condutor térmico, a temperatura na extremidade da vela é bastante alta, o que ajuda a evitar depósitos no eletrodo, contribuindo para uma faísca mais intensa.

Basicamente podem existir dois tipos de velas quanto ao seu grau térmico: as velas “quentes” e as “frias”. Essencialmente elas diferem entre si pela quantidade de cerâmica no isolamento do eletrodo. Desta forma uma vela “quente”, é menos suscetível ao acúmulo de depósitos. Entretanto, geralmente costuma-se usar velas mais frias em motores de alto desempenho devido às temperaturas mais altas que estes motores produzem.

A Bobina
Outro dispositivo conceitualmente muito simples, cujo papel é fornecer as elevadas voltagens necessárias a produção da faísca pela vela. Basicamente é feita por dois conjuntos de enrolamentos de fios, da mesma forma que em um transformador e fazendo com que a pequena voltagem fornecida pela bateria, seja multiplicada diversas vezes.

O Distribuidor
Este elemento tem múltiplas funções. A principal delas é fazer com que a eletricidade gerada na bobina e transmitida pelo cabo da bobina, chegue até a adequada vela de cilindro. Dentro do distribuidor o elemento responsável por isto é o rotor, que faz a ligação elétrica que possibilita a eletricidade atingir cada vela. Conforme o rotor gira, sua extremidade faz o contato (na verdade passa muito próximo) com a extremidade de cada cabo de vela, fechando o circuito da bobina até a vela.

No corpo do distribuidor, localiza-se o “comando” do distribuidor. Este comando gira na mesma fase do rotor, acionando um contato com o módulo do sistema (platinado). Toda vez que este contato é acionado, ele abre um dos pontos da bobina, que perde seu aterramento e gera um pulso elétrico, que é o que vai ser transmitido via cabo ao rotor, daí via cabo também para a vela. Perceba que este é o elemento responsável pela intermitência da corrente elétrica e o que controla o avanço ou o retardo da faísca.

Nos motores modernos este elemento não existe. Sua função é substituída por um sensor de um módulo eletrônico, que informa a exata posição dos pistões e assim o momento de produzir a centelha. Este mesmo módulo eletrônico é que controla a abertura e o fechamento da bobina.

Alguns tipos de motores também apresentam um esquema geral diferente deste explicado nesta matéria. Nestes casos não existem distribuidores e uma única bobina para todas as velas. São motores de ignição direta, onde bobinas individuais são ligadas diretamente em cada vela e o módulo eletrônico é o responsável pelo comando de cada bobina.

4 Comments

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  1. preciso do diagrama das ligações do sistema de ignição e demais mangueiras e afins do modulo etc. não consigo ninguem que conheça o sistema do renaut 21

  2. NECESSITO DA INDICAÇÃO DA POSIÇÃO DOS FIOS AMARELO E LARANJA QUE CONETAM NA BOBINA DE IGNIÇÃO DO RENAULT RT 19. SEI QUE O AMARELO TEM 12 VOLTS QUANDO LIGO A CHAVE, MAS NÃO ANOTEI SE ELE LIGA NO BORNE ESQUERDO OU DIREITO DE QUEM OLHA A BOBINA FIXADA NO CARRO. O CONECTOR TEM TRES PINOS O CENTRO NÃO TEM FIO CONECTADO. AGRADEÇO A QUEM POSSA ME AJUDAR. SE PUDER MANDE UMA FOTO DO DABO CONECTADO.

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